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a ordem das coisas é a desordem

Armanda partiu do princípio que se estava sem dormir há dois dias era porque algo de estranho se passava, ora nada de estranho pode continuar para sempre, das duas uma, ou iria dormir já amanhã, sem ter acontecido nada, e tudo voltaria à normalidade, solução incerta, ou iria dormir amanhã tomando comprimidos, como não queria jogar ao acaso, até porque a cabeça já lhe parecia saltar do pescoço, dispôs-se a aguardar o tempo que fosse preciso pelo médico de família.Pareceu-lhe um bom raciocínio. Respirou aliviada admirando a sua rápida reacção ao problema. No altifalante da sala de espera: "As consultas de hoje para o Dr Francisco Baldac foram todas canceladas, os doentes em espera é favor dirigirem-se ao balcão." Armanda sentiu um tal desalento que foi incapaz de se mexer. Afinal, e agora? Desculpa lá intervir Armanda, mas quem te mandou a ti contar com o ovo no cu da galinha? Vai, põe-te lá com outro brilhante raciocínio que já vais ver como elas te mordem...
e Armanda, apesar de ser estranho, continuou sem dormir mais dois dias até que pagou 50 euros por uma consulta particular e arrebitou para a vida.

a virtude dos sítios sem nome

Havia um sítio, entre rochedos, mar e fontes, um estranho sítio onde se juntam cores, atmosferas e sons de estorninhos verdes, onde naturalmente quão naturalmente é, não se podendo dizer quem transformou ou mesmo criou esse poder singular, o poder que têm os sítios onde se chega por acaso, quando se anda perdido, na rua à chuva entre gente ou ao lado de um rio rápido, quando corremos para o apanhar. Chamaram-lhe a virtude dos sítios sem nome e assim ficou.