Lê para mim, miúdo, e não pares enquanto eu não te disser para parares. Lê-me as vidas dos outros enquanto eu me esqueço da minha. Lê-me tudo o que encontrares. Lê-me livros, revistas e folhetins. Lê-me que eu quero ouvir da tua voz as coisas que tens para me dizer. Lê-me depressa e devagar. Lê-me de manhã, antes da escola, à tarde, quando regressares, e à noite, enquanto sonho que já cá estás mas ainda demoras. Lê-me mas não deixes de me olhar. Só não me leias a alma senão amanhã já não vens.
Já sei ler, miúdo. Mas nos meus sonhos ainda és tu quem lê para mim.
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entre uma sopa e um bife - continuação
Aquele casal aparecia sempre para almoçar
No mesmo restaurante
Num enamoramento pegado, quase com medo que o dia acabasse
(ou seria o almoço?)
Enquanto uns comiam sopa,
E outros cortavam bife
Eles tinham medo que o dia acabasse.
Ou o almoço acabasse.
e não houvesse mais alimento para aquele amor.
Aquele casal nunca falhava
Os dias da semana eram uma maratona de amor
ao almoço
Todos os almoços, todas as semanas
Mas pouco comiam
Mas nunca falhavam
Debruçavam-se em cima da mesa
Tocavam-se sem pudor de olhares alheios
e como havia olhares alheios a mirá-los
Mas pouco comiam
Mas nunca falhavam
Deixaram de aparecer. Há duas semanas, não mais
(gosto de pensar que estão de férias)
Os almoços insípidos tornam-se apimentados.
Os amantes voltaram, o espectáculo continua.
Mas pouco comem,
Mas nunca voltaram a falhar.
Entre garfadas vê-se a paixão,
Feroz e tórrida antes que o dia acabe.
Ou seria o almoço.
Olhando bem, quando se separam, um olho está negro,
Preto, roxo e com laivos de vermelho sangue.
Comentam-se estórias e criam-se boatos.
Sorve-se a sopa.
Acaba o almoço, ou seria o dia,
As marcas desaparecem,
E a paixão acalma.
Mas agora comem,
Mas nunca falham.
A lista branca do anelar bronzeia-se,
Cortam-se bifes
Para alimentar o tal Amor.
A paixão esquecida.
Os olhares já não são alheios,
O pudor pareceu regressar.
Chegaram à meta, acabaram a maratona.
Acaba o dia, ou seria o almoço.
Mas agora comem,
Mas agora falham.
No mesmo restaurante
Num enamoramento pegado, quase com medo que o dia acabasse
(ou seria o almoço?)
Enquanto uns comiam sopa,
E outros cortavam bife
Eles tinham medo que o dia acabasse.
Ou o almoço acabasse.
e não houvesse mais alimento para aquele amor.
Aquele casal nunca falhava
Os dias da semana eram uma maratona de amor
ao almoço
Todos os almoços, todas as semanas
Mas pouco comiam
Mas nunca falhavam
Debruçavam-se em cima da mesa
Tocavam-se sem pudor de olhares alheios
e como havia olhares alheios a mirá-los
Mas pouco comiam
Mas nunca falhavam
Deixaram de aparecer. Há duas semanas, não mais
(gosto de pensar que estão de férias)
Os almoços insípidos tornam-se apimentados.
Os amantes voltaram, o espectáculo continua.
Mas pouco comem,
Mas nunca voltaram a falhar.
Entre garfadas vê-se a paixão,
Feroz e tórrida antes que o dia acabe.
Ou seria o almoço.
Olhando bem, quando se separam, um olho está negro,
Preto, roxo e com laivos de vermelho sangue.
Comentam-se estórias e criam-se boatos.
Sorve-se a sopa.
Acaba o almoço, ou seria o dia,
As marcas desaparecem,
E a paixão acalma.
Mas agora comem,
Mas nunca falham.
A lista branca do anelar bronzeia-se,
Cortam-se bifes
Para alimentar o tal Amor.
A paixão esquecida.
Os olhares já não são alheios,
O pudor pareceu regressar.
Chegaram à meta, acabaram a maratona.
Acaba o dia, ou seria o almoço.
Mas agora comem,
Mas agora falham.
Etiquetas:
desafio; MMS,
Isabel J.
Desafio IV
Pois é, pois é, chegou a vez do meu desafio :)
Preparados?
Lembram-se do meu casal do 'Entre uma sopa e um bife'?
Aquilo que vos pergunto é: Será que eles voltaram ao restaurante? Porque deixaram de aparecer, o que fizeram, o que lhes aconteceu na ausência?
Ou não voltaram? Separaram-se, foram de férias, mudaram de cidade?
(ou nenhuma destas está certa?)
Pensem neste casal misterioso e digam-me, contem-me tudo, nas vossas prosas.
5ª às 15h00 espero para saber tudo o que lhes aconteceu :)
Obrigada, malta!
Preparados?
Lembram-se do meu casal do 'Entre uma sopa e um bife'?
Aquilo que vos pergunto é: Será que eles voltaram ao restaurante? Porque deixaram de aparecer, o que fizeram, o que lhes aconteceu na ausência?
Ou não voltaram? Separaram-se, foram de férias, mudaram de cidade?
(ou nenhuma destas está certa?)
Pensem neste casal misterioso e digam-me, contem-me tudo, nas vossas prosas.
5ª às 15h00 espero para saber tudo o que lhes aconteceu :)
Obrigada, malta!
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