Desafios dos Provérbios
Que tal um novo ciclo de desafios para ver se o blog mexe?
Eu e a Cristina pensámos que seria giro, para variar, fazer de provérbios. A ideia mantém-se - fazer textos baseados na nossa interpretação do dito provérbio...
E para começar, cá vai o primeiro:
"Bom é saber calar até ser tempo de falar"
:*
Olh'ó Passarinho!
Prontas para mais um desafio?
Estive a pensar, já fizemos desafios de filmes, músicas e textos...só falta fotos!
Assim proponho o seguinte - cada uma de nós posta uma foto, e depois é só dar asas à imaginação.
Que me dizem? Posso pôr a 1ª foto?
:*
Cidade dos Anjos
Não vos consigo sentir. Não é falta de sensibilidade, apenas não vos consigo sentir. Tocar, cheirar, acariciar. Não consigo.
Existo paralelamente à vossa vida. Não estou morto, apenas não vivo humanamente.
Vivo nos pensamentos, nas bibliotecas e a cada pôr-do-sol encontramo-nos na praia. Nós, os da minha espécie. Adoramos ouvir o sol, os acordes ao despedir-se de mais um dia.
No meu trabalho guio quem vos deixa. Na morte, essa palavra que, para vocês, é fria. Mas nós não sentimos o frio. Na realidade a morte é só o início de outra vida. Uma vida como a minha. Não humana.
Enquanto vos guio na nova estrada, atrevo-me sempre a perguntar o que mais gostaram. Aponto no meu livro cheio de coisas boas.
Foi numa dessas situações que te encontrei. Enquanto esperava que uma vida se desvanecesse do vosso lado e começasse do meu. Olhaste-me nos olhos e contrariaste-me. Parecia que me conseguias ver. Como se fosse possível tocares-me. Como se pudesses alterar destinos.
O destino manteve-se. E eu não me consegui afastar.
Deixei-te ver-me, conhecer-me. Mas nunca tocar-me. Só porque não vos consigo sentir.
Quando percebeste que não existia dor para mim, continuaste a não acreditar em anjos.
Não acreditavas em anjos, mas apaixonaste-te por um.
Ele, que não deixa nada ao acaso, deu-nos algo em comum – a vontade própria. O livre arbítrio. A mudança.
E eu queria mudar. Por ti atirei-me. Caí. Acordei humano.
Fomos felizes. Por uma noite sentimo-nos.
Absorvi cada toque, cada cheiro, todas as emoções. Fomos felizes.
Demasiado depressa aprendi a chorar. Finalmente percebi porque as lágrimas caíam.
Olhaste para mim uma última vez. Acariciaste-me uma última vez.
Quando te perguntaram o que tinhas gostado mais, disseste o meu nome – Seth.
Perguntam-me se valeu a pena. Apenas por um toque teu. Por um cheiro teu apenas.
Sim, valeu.
Silêncio, Câmara.... Escrevam!
Como estava pouco inspirada, pedi ajuda à Cristina para este desafio. Claro que ela teve uma ideia brilhante:
- Escrever um texto sobre " o filme da minha vida"
Toca a trabalhar nas sequelas. :)
Jocas
Caminhos Alternativos
Estou a pôr a primeira e a fazer o ponto de situação.
Já estou em movimento. Porque as vidas que são rosa no verde não estagnam. Avançam. Já poucos se conformam com o preto no branco. Espero eu!
Ando a ver as pedras no meu caminho e não as apanho. Dou-lhes pontapés. Assim fico sem material e o meu castelo não passa de pedras soltas.
Que este texto sirva de argamassa. As mangas estão arregaçadas e é Verão. Já passei a primeira lomba. A auto-estrada avizinha-se. Buzinemos em uníssono.
O Meu Gato - Mote Um - Take 2
Descontente, dei as boas vindas ao Tico e ao Teco, os peixinhos dourados que substituíam o meu gato independente. Não gostei, não podia dar-lhes festinhas. Só tinha piada quando vinham buscar a comida. Quando podíamos contemplar o interior das bocas. E eu dava comida. E dava mais. E continuava a dar.
Morreram passados 2 dias.
Mas também não era meus. Não os queria. Queria um gato.
Vieram a Tuga, a Tuguíssima e a Tuga, a Terceira. Exactamente nesta ordem. A primeira foi vítima do pé nº 38 da mulher-a-dias. Ela é que a pisou e eu é que levei um raspanete por deixar a tartaruga passear pela casa. Só queria deixá-la fazer um pouco de exercício. Estava sempre encurralada no aquário.
Mas não me importei. Não era minha. Eu queria um gato.
A segunda atirou-se do aquário (mistério que ainda persiste), logo no dia em que eu o deixei no parapeito para apanhar sol. Se vivêssemos no rés do chão, tínhamos evitado a poça verde no quintal da vizinha. Aliás, se fosse um gato tinha caído direito no chão, sem mazelas. Amuei quando tive de ir limpar os resíduos viscosos. Ela nem era minha.
A terceira hibernou durante ano e meio e a mãe decidiu atirá-la pela pia. Ainda hoje acho que havia uma hipótese de ser apenas um longo período de hibernação. Mas também não disse nada. Não me interessava.
- Quando tiveres a tua casa, escolhes o animal que quiseres. – diziam-me constantemente. E assim esperei. Passei da infância para a puberdade. Entrei no curso técnico para assistente de consultórios dentários. E comecei a trabalhar com a Dra. Jossara Violão.
Estava contente. Parecia ter escolhido a profissão certa. No início escolhi o curso por me parecer um bom sítio para trabalhar. Onde as pessoas pouco podiam reclamar, por estarem sempre de boca aberta. E até se ganhava bem.
Mas agora transportava-me um pouco à minha infância. Sorria por debaixo da máscara, sempre que me lembrava do Tico e do Teco. E tinha de combater a vontade de atirar comida para dentro das bocas dos pacientes.
Fui poupando e finalmente comprei uma casa só para mim. Era minha. Agora sim queria e tinha escolha própria. Já ninguém me proibia de nada. Fui ao shopping e comprei um gato. Era preto, com olhos verdes e um sorriso nos lábios. Era meu. E não importava se era apenas uma imagem estampada num porta-chaves. Era um gato e era independente. Tal como eu!
Mote Um - Take 2
Data de publicação: Quarta feira às 12.00
Até lá!
Mote Um
Ana Rosa - Roxanne
O creme hidratava o ar do quarto com cheiro a baunilha.
Ana Rosa esticava delicadamente as meias de rede. Pretas com brilhantes. De perna erguida, sentada na cama recordava – os faróis dos clientes que acendiam as lantejoulas e o desejo. No fundo até gostava da atenção.
As suas pernas esguias faziam sucesso todas as noites.
Entretia-se a escolher o batom que melhor combinava com a cor do seu vestido
“You don’t have to wear that dress tonight”
Ele não conseguia compreender. Uma mulher tem de fazer pela vida. Não conseguia aceitar a ideia de viver às custas de um homem. E arranjar um emprego medíocre a ganhar pouco, não era para ela. Era ambiciosa. Gostava de ir às compras na Avenida da Liberdade. Dos produtos de beleza. No fundo até gostava da atenção.
Dos olhares que a seguiam.
“So put away your makeup”
A sua mãe sempre lhe tinha dito – o que é bom é para se ver – e ela cumpria. Todas a noites mostrava o que tinha de melhor. E até gostava da atenção.
“I won't share you with another boy”
Mas para ele não. Não a queria partilhar. Logo ela, que era de ninguém.
Vinha com a conversa do Amor. – Amor? O que é isso? – Ana Rosa acedia-lhe ao pedido. Olhava-o nos olhos – no fundo, no fundinho – mas só via a auréola preta. Não via o Amor, nem Alma. Só preto. E o olhar dele seguia-a. Ela gostava, especialmente da atenção.
"You don't have to put on the red light”
Calçava as botas de salto. Estava pronta para mais uma noite de trabalho. Ou diversão. Tudo dependia da perspectiva. Já o tentara explicar-lhe, mas ele não ouvia. Não queria saber.
“You don't have to sell you body to the night”
Ana Rosa no fundo só gostava da atenção.
Desafio Cantado
Vamos a mais uma voltinha de Desafios?
Desta vez, aproveito a deixa da Cristina, e proponho:
- Escolher uma música ao vosso gosto e inseri-la num texto.
Se não quiserem inserir partes da música, pode ser somente um texto inspirado na letra ou só na melodia. Deixo ao vosso critério.
Prazo - até 5ª feira pelas 16h.
:*
Desafio II
Seguindo a linha iniciada pela Isabel, proponho-vos o seguinte:
Continuar a estória do Duas Estrelas Peguem na ultima frase e comecem a vossa versão:
Que deixava no balcão ao sair, juntamente com a nota de dez...
Proponho também que publiquem os textos todos à mesma hora e mesmo dia.
Sugiro Sexta-feira,dia 30 às 11.00.h . O que vos parece?
Mãos à obra! ( Confesso que estou bem curiosa...)
Cristina
